Bom dia?
March 28, 2008
Eu perco completamente meu senso de boas maneiras quando acabo de acordar.
E é sério. Outro dia me fizeram acordar tão cedo, mas tão cedo, que tomei um ônibus e estava vazio. Em dia de semana. Façam a equação: terça-feira + ônibus sem ninguém = madrugada. Enfim, fato é que, estava eu a passar pela catraca quando o cobrador, num ato solidário para com as pobres almas que transitam por aquele caixote sobre rodas àquela hora, me disparou um alegra “bom-dia!”. E eu, atônito e atordoado, respondi com um singelíssimo… “Quem é você?”.
Pois é. Sabe aquela comunidade respeitadíssima do orkut, “Sou uma ameba pela manhã”? Então, criarei uma outra agora, “Sou um cavalo antes das dez”. E tenho dito.
Rosas no vasinho.
March 13, 2008
É sempre assim.
Todo dia, pouco antes dos reality shows a não muito depois da novela, dona I. já está no seu segundo sono. E eu, que não durmo antes das 3h num dia normal, passo várias vezes pelo sofá da sala, seu cantinho de soneca preferido, e cubro-a com a mesma mantinha marrom (o “cobertor de mendigo”, como minha irmã pejorativamente chamava-o por causa da sua fina expessura) que ela mesma usava para acalentar meus sonhos infantis. Parece que foi de repente; de um dia para o outro, a impressão é a de que o papel se inverteu: eu virei o pai, dado a fazer sermões e até dar broncas quando a garota resolve atravessar a rua mesmo com um carro à vista, e ela tornou-se a que ouve tudo de cabeça baixa, sabendo que errou.
Mas, no fim das contas,
mãe é mãe. E é aquela que no fundo vai ser a única a sempre estar do seu lado, não importa o que aconteça.
Houston, we have a problem.
March 6, 2008
Detesto lagartixas. É um fato, e irremediável. Quase tanto quanto não gosto de peixes.
Tudo que sei é que, quando olho pra elas, imediatamente me imagino procurando um interruptor com as mãos e esbarrando nelas, ou encontrando-as no meu travesseiro. Mas o problema é: lagartixas NÃO me respeitam.
Pouco importa se eu tento expulsá-las com uma vassoura, um jornal ou contando-lhes que há uma promoção de sapatos na esquina. Elas simplesmente me ignoram, fingem que eu não existo. Coisa que, infelizmente, não é recíproca.
E o que fazer? Minha única alternativa, nessa noite, foi adotá-la como companheira de quarto. Agora ela se chama Ticha e é minha psicóloga, pois resolvi contar todos os meus problemas pra ela. Que ela ignora, claro. E não é isso que todos os psicólogos fazem?
Medo?
March 2, 2008
| “Se o seu medo é PRETO: Ele provoca em seu ser uma tendência reacional que lhe faz nem querer ver o objeto, a causa ou o alvo desse medo. O medo preto, sem dúvida alguma, demonstra um processo que envolve um intenso e profundo sentimento, com um alto grau de sofrimento e pode estar sendo arrastado há bastante tempo em sua vida. Muito interessante, é que esse não querer ver chega a ocasionar uma real possibilidade disso acontecer. Por vezes, a reação de defesa é tão intensa que a pessoa ou os aspectos envolvidos em todo o processo realmente “não são vistos”. Ocorre o que é chamada supressão que é uma reação de defesa tão forte e profunda que ela nos faz nem perceber que aquilo ali está. Mas, o “re”contato com o objeto do medo acaba sendo inevitável em alguns momentos e, assim, cada vez que ele aflora parece ainda mais profundo e intenso. No medo preto, não são incomuns as sensações ruins permanecerem mesmo quando se procura livrar do processo com tratamentos, terapias, força de vontade ou por outra das diversas formas possíveis. Os medos pretos, comumente indicam que quem os vivencia vem enfrentado estímulos que parecem conter aspectos de extremo poder. Como se o medo tivesse vida própria. É natural e inevitável a inferioridade ou o subjugo ao objeto do medo, já que ele parece tão poderoso ou, em muitas situações, tão sobrenatural ou sobre-humano, levando à fuga como maior tendência reacional. Mesmo os sentimentos de preocupação comuns a muitas pessoas, naquelas com tendência ao medo preto, se tornam difíceis, por vezes incontroláveis e de intensidade marcante. As sensações do medo preto, na maior parte das vezes, são as de que nem adianta querer controlar o processo, pois ele provoca a sensação de ser muito maior que as forças disponíveis em nós para mudar a situação e supera-la. Enfim, se você é “portador” de um medo preto, uma das chances de vence-lo, reside no reconhecimento de quem você é, encontrar em si as capacidades, a confiança e a aceitação de certos aspectos da realidade que faz parte do mundo em que vivemos. Quando passamos a compreender, pelo menos em parte esses aspectos, iniciamos uma transformação que ira criar uma realidade mais saudável para efetivarmos nossas vitórias. “ Teste bobinho, mas que leva a um insight legal. E, quem sabe, correto. Via este site aqui. |
Nini!
February 28, 2008
Decidi que o segundo post desse blog deveria ser sobre outra pessoa. Algo diferente, para não cair naquele dilema eu-tu-ele que era o anterior – que, em seus últimos dias de vida, nem eu agüentava mais. Fato é que resolvi escrever sobre uma pessoa muito importante pra mim, e que sempre está ao meu lado desde que nos conhecemos – não, não citarei nomes, pois ela sabe quem é. Só de ver a pintura acima, sei que sabe.
Parece que faz anos que nos conhecemos (e faz, oras!), mas me refiro, na realidade, à impressão de décadas. É engraçado como, quando alguém importante entra na sua vida, fica difícil imaginar como era antes disso – fica aquela sensação de que somos amigos de infância. Melosidades à parte, nossa amizade já foi temperada com um pouco de tudo: de brigas e discussões a risadas gostosas e passos de tango no meio do pátio. E, quando pensamos no número de coisas que já nos aconteceram e em como mudamos ao longo desses quarenta e cinco mil e duzentos e oitenta e sete dias, fica ainda mais difícil imaginar uma vida futura sem termos um ao outro para conversar, gargalhar das ironias da vida e a ajudar um ao outro a se levantar sempre que – infelizmente – necessário.
Então é isso. Podem me chamar de perfeccionista, detalhista e “defeitista” o quanto quiserem (admito que às vezes sou), mas na nossa parceria, não vejo um único momento que mudaria. Porque amizades assim são pra sempre e são perfeitas.
I’m always two steps away from a mental breakdown.
February 27, 2008
(or two steps after it).
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Eu tenho plena consciência de que sou uma pessoa cheia de defeitos – assim como todo mundo. Passo muito mais tempo sonhando do que acordado, não sou bonito como os modelos das revistas e nem sou excepcionalmente brilhante. Não daria um bom dono de casa, sou um desastre emocional, não consigo um emprego e nem sequer passo na faculdade. Não consigo administrar meus problemas direito, sou um poço de insegurança maquiada e disfarço meus medos e desconfianças sob um semblante calmo e simpático.
E eu me enganei de novo e de novo, como sabia que iria fazer. Atrás de nós o carpete esconde um assoalho sujo e impregnado, e continuo a me esconder no segundo andar fingindo que nada aconteceu.
O fato é que o motivo pelo qual escrevo aqui é o mesmo que motivou Woody Allen a dirigir, Amy Winehouse a compor e Margot Tenenbaum a produzir: para tentar livrar-me dos meus fantasmas do passado e do futuro, na tentativa de estabelecer uma vida mais tranqüila e, tomara, feliz.
Esperemos que dessa vez eu consiga.